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Trabalhadores ligados à área de serviços públicos do Grande ABC exercem suas funcções expostos ao sol e com poucos equipamentos de segurança. Muitos funcionários usam bonés ou filtro solar como proteção por conta própria, pois não recebem esses produtos das empresas que os contratam.
Na região, a proposta de tornar a obrigatória a distribuição de protetor contra o sol para os trabalhadores que atuam na rua foi discutida há cerca de três anos em Mauá e São Caetano. Os vereadores autores dos projetos de lei, contudo, terminaram por retirar suas proposituras sem que as iniciativas avançassem.
Segundo o médico Sergio Carvalho e Silva, pós-graduado em medicina do trabalho, a legislação brasileira não reconhece a exposição aos raios solares como um risco laboral, tanto que o filtro solar não é nem considerado um EPI (Equipamento de Proteção Individual) pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
"Algumas empresas e administrações públicas fornecem os produtos porque entendem que o uso do protetor é um benefício para a saúde dos seus trabalhadores. Mas como não é uma norma, a maioria não oferece", afirma o médico.
Uma proposta que determina a obrigatoriedade do uso de filtros solares para as pessoas que trabalham expostas ao sol tramita há anos no Congresso Nacional, porém ainda não avançou. "Talvez seja falta de vontade política, pois todos nós sabemos quais são os prejuízos para a pele."
Em 2007, um projeto semelhante foi apresentado na Assembleia Legislativa de São Paulo, entretanto, ainda não foi levado a votação.
NO SOL - Na tarde de terça-feira, a temperatura na região alcançou os 33°C. Nesta hora, a vendedora de bilhetes de zona azul Luciene Amorim Souza, 32 anos, trabalhava no Centro de Mauá sem boné. Ela diz que foi admitida há três meses, e a Prefeitura ainda não entregou o uniforme completo. "Encomendei filtro solar, mas ainda não chegou. Em dias assim, a gente procura ficar mais na sombra."
A varredora de rua de Santo André Gislene Teixeira de Souza, 47, diz que já passou mal no trabalho por causa do calor. "Foi uma queda de pressão. Usamos todos os equipamentos como bonés e luvas, bebemos muita água, mas o filtro solar a empresa não dá. Temos que comprar."
Problemas variam de insolação ao câncer
Os riscos dos trabalhadores expostos ao sol sem proteção variam de insolação a câncer de pele. Queimaduras e insolação aparecem como consequências de risco agudo, segundo o médico Omar Lupi, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
"A queimadura provoca vermelhidão, bolhas e ardor. Com a insolação, a pessoa desidrata, passa mal e pode até ter vômito", explica.
A médio e longo prazo, Lupi aponta o envelhecimento precoce da pele ocasionado pela ação dos raios ultravioleta UVA - principal agente da exposição solar crônica. O mais grave dos problemas, no entanto, é o câncer de pele, provocado pela radiação UVB. O médico conta que a doença atinge pessoas na faixa dos 45 anos, em média, mas tem aparecido em uma população cada vez mais jovem. "Ruivos com sardas e pessoas com pele clara, de um modo geral, estão mais propensas (a ter a doença)."
O câncer de pele mais comum é iniciado a partir de uma pinta que se torna uma lesão, sangra, e não cicatriza em dois dias, período considerado normal. Ainda há o melanoma, que é mais grave e raro, e é diagnosticado a partir de uma pinta que cresce de tamanho. Lupi reforça que 90% dos tipos de câncer de pele estão relacionados ao sol, e que, a qualquer lesão suspeita, um médico deve ser consultado.
FOTOPROTEÇÃO - Omar Lupi lembra que a fotoproteção ideal vai além do uso do filtro solar indicado pelo dermatologista. "Principalmente, os trabalhadores têm de usar óculos escuros para proteger os olhos, e bonés para orelhas e nariz."
Fonte: Diário do Grande ABC
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